19 março 2010

Vida real?

Walter C. (famoso W.C. pra nós) é um cara que fumou durante 35 anos. Nunca teve problemas de saúde que não fosse uma gripe, um entorse ou estiramento jogando o futiba sagrado de todo fim de semana, e quando não podia jogar por causa disso chorava como criança.
Pressão arterial 12 x 8, glicose no sangue zero bala, raciocínio puro e fluente. Resolveu, depois de muita insistência de médico amigo, visitá-lo pra uma consulta, só pra tirar qualquer dúvida que pudesse advir em algum momento de ressaca na manhã seguinte à uma noite regada a vódka e cerveja.

Foi aconselhado seriamente que deveria parar de fumar.

W.C. amava o seu hollywood, queimava um e meio maço por dia com enorme prazer e satisfação; tomava um monte de café no trabalho sem nenhuma vontade, do café ou de fumar, só pra "fazer bico" (dizia ele) pro querido cigarrinho. Mas como o médico, além de bom amigo e companheiro da cervejinha de toda noite o assustara, deixou. Médico amigo disse que ele poderia substituir o "veneninho" por balinhas, quando sentisse vontade. E assim ele fez.

Viciou-se nas 'balinhas' e delas passou pros bombonzinhos, que não mais o satisfazendo, levaram-no pras barras de chocolate. Um ano depois W.C. engordou como um porco reservado pro abatedouro. Parara com o futebol society, reduzira drásticamente a cerveja - dizendo que porisso engordara - ...e teve um enfarte seguido de outro, já no hospital, com a pressão à 18 x 10, diabético e com problemas nos rins.

Médico amigo - com o cigarro numa mão e um copo de cerveja na outra - nos disse que se ele não tivesse parado de fumar o primeiro enfarte teria sido fulminante, no que eu respondi que fulminante fora a consulta que W.C. lhe fizera tempos antes, não fosse isso o tal 'enfarte fulminante', se ocorresse, teria justificativa lógica; que graças à Deus W.C. não morreu com os enfartes, morreu sim para a vida que sempre levara, fumando prazerosamente, praticando seu esporte preferido aos finais de semana, tomando suas cevinhas geladinhas, mantendo o corpinho sequinho e gostoso de bailarino espanhol que sempre teve (palavras do próprio). Morreu para a companhia de amigos, que abandonara apesar de nunca ter sido abandonado, lembrado sempre por sua alegria e tino fofoqueiro.


Que se pode dizer de tudo isso? Que médicos não erram nunca? Que a vida sem aqueles vícios seria melhor? Que a escolha foi de W.C. e ninguém tem nada com isso?


Sei lá. Só sei que eu tenho medo de médicos. Que se tiver que encontrá-los algum dia que seja pra dizer adeus e...partir, sabedor que, apesar dos pesares e opiniões contrárias, eu vivi.


Vem W.C., volte pra nós, volte para o lugar em que vc era feliz E NÃO SABIA. O amanhã à Deus pertence, viva o hoje.


By, eu mesmo, com meu inseparável hilton longo e minha skol geladinha bragarái. Vem?