17 dezembro 2006

Quem morre?

Morre lentamente
quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca. Não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente
quem faz da televisão o seu guru.

Morre lentamente
quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente
quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.

Morre lentamente
quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente
quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente
quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente
quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,
recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior que o simples fato de respirar. Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.

(Pablo Neruda).

Ela, por email.

3 comentários:

Carla disse...

É por essas e por outras, que sigo vivendo o tempo da minha vida, como se hoje fosse o último dia. Intensa e verdadeiramente. Lindo post, amor. Bjus.

Quel disse...

é... qurido, grande Neruda... e eu muuuito obediente, to fazendo tudo certinho :)
estou sorrindo aqui... um beijo e ainda falaremos (antes do Natal), com vc e com a Carlinha, via msn
beijos beijos

Claudio disse...

Profundo.....