27 julho 2006

Baseado em fato verídico (?).


(Paciência. É genial. Ri MUITO).

Eu sei que o assunto é escabroso, mas a história tem seus atrativos; um deles é que aconteceu de verdade. Minha senhora foi testemunha, e no sarau de ontem (a falta de luz, às vezes, é benéfica) rimos muito dela. Meu cunhado Zé Luís tem uma irmã famosa por cagar grosso. E quando eu digo grosso, eu quero dizer grosso mesmo: as dimensões médias de um troço dela equivalem as de um pão francês. Evidente que a fama fica no seio da família; é o tipo da coisa que não se deixa extrapolar, para evitar o gáudio da galera alheia. Minha mulher, por exemplo, conhecia a moça, mas não seu infame atributo.
Pois estava meu cunhado promovendo uma das suas periódicas feijoadas públicas ontem; minha mulher foi, e a dita irmã foi também. Diz a minha consorte (bonita palavra, "consorte"; liga a sorte dela à minha, o que é, no fundo, um tremendo azar) que a moça entrou no banheiro para a "função barral", e saiu depois, normalmente, quase assoviando. Minha cunhada entrou em seguida, e saiu depressinha:
- Zé, vem cá!
O Zé Luís, que é um bonachão, foi, andando devagar.
- Fala, amor.
- Não acredito! Tua irmã fez aquilo de novo!
Vocês hão de compreender a minha senhora quando ela diz que seus ouvidos saltaram com essa frase. Ela ficou interessada, e não é para menos. Eu também ficaria: "aquilo" o quê? Que tipo de coisas ela praticava nos banheiros?
Madame Tosetto deixou de encher seu prato e foi lá ver.
- Que é que houve, gente?
- Olha lá o que é que houve, respondeu minha cunhada, furiosa.
Ela foi, viu e não entendeu. Disse-me que a primeira coisa que pensou foi que haviam jogado um ovo de páscoa na privada. Depois, notando a textura, o aroma e outros detalhes técnicos, percebeu o que era.
- Nossa!!!!!?
- É sempre assim, rugia minha cunhada .
- Sempre que ela vem aqui, ela caga esses troços enormes, e entope tudo! Olha aí, não desce! E apertava a descarga, várias vezes seguidas. A água vinha quase à boca da bacia, e refluía devagar, mas o troço não passava mesmo.
Minha cunhada quase chorava:
- E agora, Zé Luís? Que que a gente faz? Zé Luís é a imagem da calma. Falou devagar, muito tranqüilo:
- Olha, faz o seguinte...você enche aí um balde d’água...vem...e despeja.
Mas vai despejando devagarinho, entendeu?...de pouquinho em pouquinho...até que desce.
Nessa altura, o movimento no banheiro já havia atraído mais gente.
Veio primeiro a minha sogra, depois a mãe do Zé Luís (e, por conseguinte, mãe também da infratora). Que já chegou perguntando o que havia.
- Olha aí a merda que a tua filha fez! Respondeu minha cunhada, já mandando a gentileza pro mato.
- Ai, meu Deus, que vergonha!!! Eu falo pra essa desgraçada não cagar na casa dos outros que sempre a gente passa esse vexame, minha nossa Senhora!
Minha sogra olhou, encostou na parede e começou a rir fininho:
- Qui, qui, qui, qui, qui...
Minha cunhada foi encher o balde, e o resto do povo ficou lá, contemplando.
A mãe dela dizia a todos:-
Olha, lá em casa essa infeliz já entupiu os canos tantas vezes que o meu marido não teve remédio senão deixar um pedaço aberto, pra gente limpar o cano com um vergalhão quando acontece. Nunca vi uma coisa dessas! Como é que passa, um troço desse tamanho?
Voltou minha cunhada com o balde. Era um balde grande; começou a despejar, debaixo de múltiplos conselhos:
- Devagar, devagar...
- Despeja em cima da bosta, pára um pouco, pára; agora vai...
- Ih, num vai descer não...
- Qui, qui, qui, qui, qui...
- Calma, gente.
- Joga logo tudo de uma vez, ué!
Acabou a água. A merda não desceu.
- E agora?
- Agora a tua irmã que venha jogar água!
- Não é por aí...vamos dar um jeito.
Minha mulher deu uma idéia.
- Pega um pau e catuca aí o cocô até descer.
- Boa idéia. Foi meu cunhado em busca de um pau. O resto ficou lá, olhando a merda. Volta ele com o pau. Começou a cutucar, mas nunca pegava de jeito, e a bosta escapava, escorregando ora prum lado, ora pro outro. E tome o pau cercando a bosta, e o troço dando show de agilidade.
- Assim não vai, concluiu meu cunhado. E coçou a cabeça. E todos coçaram a cabeça. E foi uma grande coçação, até que a mãe dele sugeriu aquilo em que todos pensavam, mas que ninguém queria falar:
- Pesca com a mão e joga no lixo, ué.
- Que é isso, mãe...tá louca?
- E tem outro jeito, menino? Pega logo aí e joga isso no lixo.
- Imagina se eu vou meter a mão na merda, mãe...
- Usa aí uma dessas tuas luvas de enfermeiro.
- De jeito nenhum. Tem que haver outra maneira. E teve uma idéia.
- Peraí.
Saiu e voltou com outro pedaço de pau.
- Olha só: com esse pau aqui, eu encurralo o troço aqui neste cantinho...E encurralou o troço num cantinho...e com este aqui eu catuco ele pra baixo.
E foi empurrando mesmo, os gestos lembrando o trinchar de um peru.
E encurrala daqui, soca dali, vai, vai, vai, foi: a merda desceu.
O cano, estrangulado, emitiu um gorgolejo, mas mandou para baixo com indiscutível segurança.
- Desceu?
- Desceu!
- Êêêêêêêêêêêêêêê...
Sorridentes, voltaram todos à cozinha, para encher seus pratos.
Ficaram um longo e indeciso minuto olhando para o caldeirão, onde borbulhavam feijões e paios.

Peguei aqui - Docedelírio

6 comentários:

O Peixe disse...

Um dos textos mais hilários e inteligentes que já li este ano. Chamei minha esposa para ler e ela quase caiu de tanto de rir. Parabéns pela espontaneidade na forma de escrever.

Sounds of Silence disse...

hahahahahahahahahahahahahaha

Faço coro com O Peixe e sua senhôura, minha querida...

E por falar em bosta e por onde ela sai, dá uma passadinha lá no cafofo que tem o mesmo tema... rsrs

Abração, meu bom.

Carla disse...

Já havia lido, amore, mas, sempre, é muito engraçado!!! Bjus envenenados e bom dia!!!

angel disse...

Olá,
Obrigado pela visita e elogio ao meu blog ,volte sempre.
O seu blog também é interessante!!
Bjos.
Angel.

Claudio disse...

excelente mais uma vez. Estou me mijando de rir com essa história de merda (no bom sentido, claro).

Seu blog se supera a cada dia....

abs

Anônimo disse...

Sim, provavelmente por isso e