11 maio 2006

Orgulho paulistano.

LIRA PAULISTANA.

Quando eu morrer quero ficar,
não contem aos meus inimigos,
Sepultado em minha cidade,
Saudade.

Meus pés enterrem na Rua Aurora,
No Paissandú deixem meu sexo,
Na Lopes Chaves a cabeça
Esqueçam.

No Pátio do Colégio afundem
o meu coração paulistano:
Um coração vivo e um defunto
Bem juntos.

Escondam no Correio o ouvido
direito, o esquerdo nos Telégrafos,
quero saber da vida alheia,
Sereia.

O nariz guardem nos rosais,
a língua no Alto de Ipiranga,
pra contar a liberdade,
Saudade...

Os olhos lá no Jaraguá
assistirão o que há de vir,
O joelho na Universidade,
Saudade...

As mãos atirem por aí,
que desvivam como viveram,
as tripas atirem pro diabo,
que o Espírito será de Deus,
Adeus.

(Mário de Andrade)

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